Jornalistas da IFAJ visitam fazenda referência em agricultura regenerativa no Brasil

Estrangeiros conhecem o trabalho da família Vick, em Piracicaba (SP), modelo de sustentabilidade e resiliência diante de desafios climáticos da região

Irmãs Aline e Nathalia Vick, proprietárias da Fazenda Estância

Representantes da Federação Internacional de Jornalistas Agrícolas (IFAJ) participaram de uma visita técnica à Fazenda Estância, em Pirassununga, SP, no dia 19 de março. A unidade é referência em práticas de agricultura regenerativa e integra a iniciativa global Bayer ForwardFarming, que demonstra essas práticas no campo.

A atividade fez parte do Executive Meeting, reunião anual de delegados da IFAJ, organizada neste ano no Brasil pela Rede Agrojor, com o apoio da Bayer. Com uma agenda focada no agro brasileiro contemporâneo, o encontro ocorreu de 15 a 20 de março e reuniu jornalistas de 22 países.

A fazenda que os jornalistas conheceram foi fundada por José Vick e passou por um processo de sucessão familiar em 2018. Hoje, suas filhas Nathalia Vick, administradora e gestora de agronegócios, e Aline Vick, economista, estão à frente da propriedade. A unidade tem 1.100 hectares dedicados às culturas de soja, milho, sorgo, mandioca e cana-de-açúcar.

Segundo levantamento divulgado pela propriedade, a adoção de práticas de agricultura regenerativa a longo prazo resultou em mais estabilidade produtiva e redução das emissões de gases de efeito estufa na fazenda. Durante a safra 2024/25, a média de emissões para a cultura de soja foi 60% menor do que a média brasileira. Já para o milho segunda safra, elas foram 46% menores do que a média nacional para a cultura no período.

Em relação à soja, foram avaliados 11 talhões e levados em consideração fatores como mudança do uso da terra, plantio, manejos, colheita, secagem e transporte. A análise concluiu que a pegada de carbono na safra 2024/25, em média, atingiu 616,4 kg CO2 eq./t, ou seja, 60% menor do que a média nacional, 1526 kg CO2 eq./t. Um talhão em específico chegou a 373 kg CO2 eq./t, 76% menor do que a média brasileira.

“É importante ressaltar que cada talhão possui um perfil de solo e histórico de manejo diferente, o que influencia a pegada. Ainda assim, o talhão com maior pegada registrada representa um montante 22% menor do que a média nacional”, explica Felipe Albuquerque, diretor de sustentabilidade da divisão agrícola da Bayer para a América Latina.

Seguindo a mesma metodologia, a análise de pegada para o cultivo de milho segunda safra concluiu que a média da Fazenda Estância é 46% menor, 751,71 kg CO2 eq./t, do que a média nacional para a cultura, 1387 kg CO2 eq./t.

Metodologia PRO Carbono

O cálculo das emissões foi feito por meio da Footprint PRO Carbono, ferramenta desenvolvida pela Bayer em parceria com a Embrapa, baseada na avaliação do ciclo de vida (ACV), que calcula a pegada de carbono de produtos agrícolas em sistema de produção de soja, milho e algodão. Capaz de efetuar cálculos por talhão, um diferencial em relação a outras ferramentas no mercado, a calculadora permite um diagnóstico preciso e o reconhecimento de propriedades e produtores eficientes do ponto de vista de emissão de gases de efeito estufa.

Para Aline Vick, pequenas mudanças no manejo fazem toda a diferença. “Existem decisões que estão ao alcance dos produtores. No caso da cultura da soja, por exemplo, substituímos a aplicação de ureia pelo nitrato, que emite menos gases de efeito estufa. Implementamos tecnologias de precisão que minimizam as manobras de maquinário, resultando em economia de combustível e redução das emissões de gases. Uma agricultura mais precisa não apenas melhora os resultados obtidos, mas também gera benefícios sustentáveis a longo prazo.”

Produtividade e solo mais saudável

A saúde do solo é um dos elementos centrais da agricultura regenerativa e contribui para produzir a mesma ou maior quantidade de produtos agrícolas a partir de uma extensão territorial menor, com menos recursos e menor pegada climática e ambiental.

Em talhões com menor pegada, por exemplo, o índice de produtividade de soja da fazenda foi maior, chegou a 77 sacas por hectare. Além disso, entre 2020 e 2024, a propriedade manteve uma produtividade estável, em alguns casos até acima da média da região, mesmo durante período de chuvas escassas. Grande parte desse ganho é relacionado à adoção de práticas de agricultura regenerativa, como rotação de culturas e plantio direto, provando que sustentabilidade e produtividade andam juntas.

“A saúde do solo é a base de todo o nosso trabalho. Por meio da agricultura regenerativa, fortalecemos sua estrutura e promovemos um ecossistema mais equilibrado. Hoje, adotamos essas práticas em toda a propriedade, um trabalho que construímos ao longo dos anos, que resulta em solos com maior resiliência ambiental e condições ideais para uma produção sustentável ao longo do tempo. A sustentabilidade virou a nossa marca”, pontua Aline.

Plataforma PRO Carbono

Desde 2021, a Fazenda Estância faz parte do PRO Carbono, maior plataforma de soluções regenerativas da América Latina que conecta agricultores, indústrias e mercados que buscam cadeias produtivas e integram sustentabilidade como vantagem competitiva e motor de crescimento do negócio.  

De lá para cá, novas técnicas foram implementadas e ampliadas para avançar na regeneração do solo na propriedade, como a intensificação da rotação de raízes. Hoje, mais de 80% das áreas de produção de grãos já receberam plantas de cobertura em substituição ao milho ou ao sorgo de segunda safra.

Uma análise comparativa simples de um talhão, feita entre 2021 e 2024, concluiu que, após três anos de práticas de agricultura regenerativa, o solo analisado revelou um aumento no teor de fósforo, um dos principais nutrientes a ser considerado em uma agricultura tropical, por ser pouco presente no solo brasileiro. 

O cálcio também apareceu em maior quantidade, e esses resultados indicam melhoria gradual e sustentável da fertilidade e do perfil químico do solo, além de potencial redução no uso de calcário, o que contribui para um menor impacto ambiental no futuro.

“O solo da fazenda é arenoso, uma característica da região, o que torna necessário um conjunto de ações para melhorar a sua saúde. O plantio direto e a rotação de culturas na fazenda favorecem a sua nutrição para fixar de forma mais eficiente nutrientes como nitrogênio e evitar a compactação, a erosão, a lixiviação pela água para protegê-lo das altas temperaturas”, comenta o diretor de sustentabilidade da divisão agrícola da Bayer para a América Latina.

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