Cinco dias, 115 horas, 1.200 quilômetros percorridos, 13 locais visitados, 51 jornalistas, 23 países. A enumeração dimensiona o esforço, mas não traduz o que se construiu no Brasil entre 15 e 20 de março, durante o IFAJ Mid-Term Executive Meeting, evento da Federação Internacional de Jornalistas Agro organizado pela Rede Agrojor. O que sustenta uma experiência dessa natureza não cabe apenas em números. Está na forma como um país se apresenta, nas escolhas de quem organiza e na disposição de expor uma realidade sem simplificações.
A partir de São Carlos, no interior paulista, o grupo percorreu uma região que reúne diferentes expressões do agro brasileiro. O roteiro, estruturado ao longo de um ano pela Rede Agrojor, organizou uma sequência que permitiu leitura, comparação e confronto entre prática e discurso. Nada ali foi colocado como peça isolada.
No Sítio São João, por exemplo, a agricultura familiar apareceu com densidade, inserida em um sistema mais amplo. Nas unidades da Embrapa, a base científica surgiu aplicada, conectando pesquisa, tecnologia e produção. Nos dias do encontro, o percurso avançou por cana, biológicos, leite, grãos, café, citros e flores. O que se viu foi um sistema interligado, pressionado por logística, ambiente e mercado, mas em constante adaptação.
Essa leitura não foi conduzida de forma linear. Em um dos dias mais marcantes, a chuva alterou o roteiro e expôs, sem filtro, uma das fragilidades estruturais do país. Um ônibus atolado em uma área de soja e a impossibilidade de acesso a uma lavoura de café deslocaram o foco da agenda. A logística deixou de ser tema e passou a ser experiência.
“Naquele dia, vocês transformaram cada problema em aprendizado. Até quando o ônibus ficou atolado, aquilo virou uma oportunidade de entender a logística. Passamos a enxergar as dificuldades e as possibilidades”, afirmou Steve Werblow, presidente da IFAJ.

O episódio sintetiza o tom da semana. Não houve tentativa de ajustar a realidade ao roteiro. O roteiro se ajustou à realidade. Por isso, nesse ambiente, os jornalistas não se limitaram a observar: questionaram, compararam, tensionaram informações. Em diversos momentos, as visitas se transformaram em discussões abertas sobre produtividade, sustentabilidade, comércio e regulação. O encontro ganhou densidade porque houve espaço para esse tipo de troca.
Foi nesse contexto que a fala de Vera Ondei, presidente da Rede Agrojor, se desloca do institucional para o estrutural. Ao se dirigir ao grupo no encerramento do Executive Meeting, ela colocou o foco na continuidade das relações que começavam ali. “Para a gente, o nosso companheiro jornalista no Brasil é tão importante quanto em qualquer parte do mundo. Queremos que vocês nos vejam como parceiros na busca por informações. Estamos abertos a ajudar, principalmente com fontes”, afirmou.

Ao indicar o acesso direto a fontes, entidades, ONGs e especialistas, a proposta deixa claro que não se trata de concentrar narrativa, mas de ampliar a capacidade de apuração. A produção de alimentos é interdependente e a informação que a acompanha também precisa ser.
Isso se confirmou ao longo da semana. Produtores, pesquisadores e executivos falaram diretamente com o grupo. As conversas seguiram fora dos horários formais, nos deslocamentos e nos encontros informais. É nesse espaço que as conexões se consolidam. Ao final do último dia do evento, o grupo já não operava apenas como delegação internacional. Havia uma rede em formação, ainda em construção, mas com vínculos estabelecidos. “Vocês nos inspiraram com a habilidade e a paixão dos agricultores e nos deram um programa que nenhum de nós vai esquecer. Vamos crescer essa rede juntos”, afirmou Werblow.
Não por acaso, o impacto não se encerra no último dia, mas segue nas reportagens que serão produzidas, na forma como o Brasil será retratado e nas conexões que permanecem. Ao incorporar campo, deslocamento e contato direto com sistemas produtivos, o Executive Meeting ganha outra dimensão. Ele deixa de ser apenas um espaço de reuniões e passa a atuar como instrumento de qualificação do olhar jornalístico. O Brasil, nesse processo, sediou o encontro e propôs uma forma de realizá-lo, porque uma rede global do agro se constrói na continuidade das relações, na circulação qualificada de informação e na disposição de lidar com a complexidade sem atalhos. Foi isso que o Brasil colocou em prática.
O que os estrangeiros disseram sobre o Executive Meeting Brasil 2026
As mensagens dos jornalistas deixadas no grupo de Whatsapp IFAJ Brazil Agror, que nasce com 67 membros, é administrado pela Rede Agrojor e servirá para apoiar demandas internacionais.
Katie Knapp, da Agricultural Communicators Network (EUA)
“Que viagem incrível! Aprendi muito sobre o Brasil como país e seu setor agro. Igualmente importante, minha mente está cheia de novas ideias de comunicação agro para levar à associação nos EUA e maneiras de melhorar meu próprio trabalho depois de passar uma semana tão próxima de todos vocês. Como dizem, é por isso que viajamos!”
John Martin Rickatson, da British Guild of Agricultural Journalists
“Obrigado a todos por uma ótima experiência na minha primeira viagem da IFAJ. Foi muito bom viajar com alguns velhos amigos e fazer muitos novos. Que dias fantásticos e uma viagem brilhantemente organizada, apesar de alguns desafios.”
Prue Adams, do Australian Council of Agricultural Journalists
“Somando meus agradecimentos a Daniel, Vera e demais por mais uma aventura da IFAJ com um grupo de pessoas notáveis. A boa vontade e a colaboração se refletem no compartilhamento não apenas de conhecimento, mas também de fotos e arquivos de áudio. É um prazer e um privilégio estar neste grupo.”
Olívia Cooper, presidente da British Guild of Agricultural Journalists
“Muito obrigada a todos os organizadores, foi uma ótima semana.”
Marie Hatlevoll, da Norwegian Association of Agriculture Journalists
“Muito obrigada a todos por uma semana incrível! E um grande obrigado aos organizadores, vocês fizeram um ótimo trabalho.”
Ulan Eshmatov, presidente da Kyrgyz Agricultural, Science and Environmental Journalists Association (KAIEJA)
“Caros colegas do Agrojor e colegas da IFAJ, em nome da KAIEJA gostaria de dizer muito obrigado a todos vocês.”
Magda du Toit, da Agricultural Writers Association of South Africa
“Gostaria de acrescentar meus agradecimentos e apreço à equipe local por organizar o encontro e todas as visitas de campo. Sei quanto esforço colocaram nisso e sinto que “obrigada” quase não é suficiente. Mas: obrigada! Vindo da palavra latina obligare, que significa “obrigado” ou “forçado” a demonstrar gratidão. Bem, sinto-me compelida a sentir gratidão por ter podido participar da viagem, por reencontrar rostos familiares e por conhecer novos amigos da IFAJ.”
Nanette Giovaneli, presidente do Círculo Argentino de Periodistas Agrarios
“Que dias lindos passamos no Brasil! Obrigada Agrojor por nos fazer sentir em casa! Um abraço a todos e foi um prazer reencontrar amigos e conhecer novos colegas. Estamos esperando vocês na Argentina 2028.”
Kenita Yaconi, da Chilean Association of Journalists and Agri-Food Communicators
“Muito obrigada à Rede Agrojor, IFAJ e a equipe por este encontro maravilhoso. Foi um grande prazer.”
Rusudan Gigashvil, presidente da Association of Georgian Agricultural Journalists
“Muito obrigada, Daniel, Vera e toda a equipe por estes dias incríveis e por nos mostrarem o potencial e as conquistas do Brasil. Também sou muito grata à IFAJ por esta oportunidade. Foi muito bom reencontrar velhos amigos e conhecer tantas pessoas incríveis novas. Vocês são todas pessoas incríveis e realmente aprecio cada um de vocês. Ansiosa para vê-los novamente em breve.”
Stefan Nimmervoll, da Verband der Agrarjournalisten und -publizisten in Österreich (Áustria)
“Queridos amigos brasileiros. Mais uma vez obrigado por organizarem uma viagem memorável. Como esperado, vocês e seus agricultores conseguiram esclarecer algumas das histórias assustadoras que circulam na Europa, embora algumas das diferentes visões sobre sustentabilidade e mercados permaneçam. Vou levar suas mensagens ao meu público austríaco e tentar uma melhor compreensão. Nos vemos em algum lugar pelo mundo, talvez nos campos de soja de Mato Grosso?”
Kirsten Müller, da Verband Deutscher Agrarjournalisten (VDAJ)
“Gostaria de agradecer à equipe organizadora por esta semana incrível. Estar no lugar certo na hora certa, foi exatamente isso que aconteceu aqui. Tanto na Suíça quanto na Alemanha há muita discussão sobre o continente sul-americano, especialmente em relação ao Mercosul. Obrigada pelos insights compartilhados. As coisas ficaram muito mais claras para mim e aprendi muito.Obrigada à família IFAJ. Vocês realmente conquistaram meu coração.”
Chelsea Dinterman, da Agricultural Communicators Network (EUA)
“Obrigada por uma semana tão incrível. Foi uma honra explorar o Brasil com todos vocês.”
Patrick Dupuis, da Canadian Farm Writers Federation (CFWF)
“Foi uma experiência fabulosa. Aprendi muito e conheci pessoas maravilhosas! Muito obrigado aos organizadores deste grande evento.”
Håkan Tegenrot, da The Association for Forestry and Agricultural Journalists (Suécia)
“Hora de dizer adeus e obrigado a todos por uma ótima semana juntos aqui no Brasil.”
O Executive Meeting tem como patrocinadores Ouro a Bayer, a John Deere e Yara Fertilizantes, mais a Basf (Prata) e Corteva (Bronze). E conta com o apoio da ABAG, Ford, Cachaça Cabaré, Toledo do Brasil, Legga e Ludu.
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