O mapa do agro brasileiro: Quick Guide entrega dados e fontes a jornalistas da IFAJ 2026

Guia Rápido foi criado para ajudar jornalistas internacionais

Como saber sobre quais as fontes destinadas às reportagens sobre o Brasil foi o mote que definiu o que seria um documento elaborado e entregue ao IFAJ Mid-Term Executive Meeting 2026, que ocorre no Brasil entre os dias 15 e 20 de março, evento da Federação Internacional de Jornalistas Agro (IFAJ), realizado pela Rede Agrojor. O Quick Guide to Brazilian Agriculture foi preparado como um documento-base para os 51 jornalistas estrangeiros, um material que consolida informações estruturais sobre a agropecuária brasileira e foi distribuído como suporte direto às reportagens durante a programação do evento.

A publicação foi concebida como ferramenta de consulta, com dados oficiais, séries históricas e indicações de fontes. Organiza conteúdos sobre produção, comércio exterior, sustentabilidade, pesquisa e cadeias produtivas, com acesso ampliado por meio de links e QR codes. O objetivo é permitir leitura rápida e, ao mesmo tempo, aprofundamento a partir de bases institucionais.

“Fizemos um trabalho que nos deixa orgulhosos. Foi muita pesquisa para chegarmos ao Quick Guide. É um material de peso, com muita informação e que vai ajudar nossos colegas a fazer reportagens sobre o agro brasileiro”, diz Luiz H. Pitombo, coordenador do guia e um dos jornalistas fundadores da Rede Agrojor.


Ele acrescenta que o alcance do material vai além da edição impressa. “O guia não fica somente no que estamos entregando. Uma lista de fontes indicadas abre a possibilidade de pesquisas profundas sobre o Brasil”. As pesquisas do guia contou com a participação direta dos jornalistas Ingrid Alves e Luiza Cardoso.

Para a presidente da Rede Agrojor, Vera Ondei, o Quick Guide foi criado para organizar, sistematizar e contextualizar algumas das principais informações sobre o agro brasileiro. “A proposta é oferecer um instrumento de trabalho permanente, capaz de apoiar coberturas internacionais e debates estratégicos sobre produção de alimentos e bioenergia”, diz ela.

A proposta da criação do Quick Guide é que ele seja o ponto de partida para que a Rede Agrojor se consolide como referência internacional no apoio direto aos jornalistas estrangeiros e às entidades dos 21 países participantes do encontro.

Base de dados, contexto e uso jornalístico

O guia parte de um enquadramento internacional para situar o Brasil no abastecimento global de alimentos. O conteúdo é organizado em seções temáticas e por cadeias produtivas, com dados específicos de produção, exportação e participação de mercado. O formato permite acesso direto a informações segmentadas, facilitando a construção de pautas.

Nesse cenário, o documento posiciona o Brasil entre os países com maior capacidade de expansão, com produção relevante em carnes, soja, milho, algodão e biocombustíveis. A partir desse contexto, o material apresenta um retrato do país. São 8,5 milhões de quilômetros quadrados de território, 213 milhões de habitantes em 2025, segundo o IBGE, e uma estrutura produtiva distribuída em diferentes biomas. O guia detalha as regiões brasileiras, a matriz energética e a disponibilidade de recursos naturais, elementos utilizados para contextualizar a escala da produção agropecuária.

O documento também organiza a trajetória do setor. Até a década de 1970, o Brasil dependia de importações de alimentos básicos. A mudança de perfil ocorre a partir dos anos seguintes, com expansão da produção e ganhos de produtividade. O guia atribui essa transição à pesquisa agropecuária, à ocupação do Centro-Oeste, à abertura econômica e à estabilidade macroeconômica.

Os dados indicam que a produção de grãos mais que dobrou entre 2012 e 2025, passando de 162 milhões para 346,1 milhões de toneladas, segundo IBGE e Conab, enquanto a área plantada cresceu 66,8% no período.

No comércio exterior, o Brasil aparece como líder global em produtos como soja, café, açúcar, carnes, suco de laranja, algodão e celulose. Em 2025, as exportações do agronegócio totalizaram US$ 169,1 bilhões, com China, União Europeia e Estados Unidos como principais destinos.

A estrutura da cadeia produtiva também é detalhada. O agronegócio representa 24% do PIB brasileiro, com valor estimado em US$ 592 bilhões em 2025, segundo o Cepea. O material apresenta ainda dados da indústria de alimentos, cooperativas e mercado de insumos, compondo um panorama integrado do setor.
A pesquisa aparece como base desse sistema. O guia destaca a atuação da Embrapa, com 600 laboratórios, 57 unidades e parcerias em mais de 38 países.

Outro bloco reúne informações sobre uso da terra e emissões. O documento apresenta dados de IPCC e SEEG sobre gases de efeito estufa e registra a redução associada à queda do desmatamento na Amazônia, além de mencionar práticas como plantio direto e integração lavoura-pecuária-floresta.

O Executive Meeting tem como patrocinadores Ouro a Bayer, a John Deere e Yara Fertilizantes, mais a Basf (Prata) e Corteva (Bronze). E conta com o apoio da ABAG, Ford, Cachaça Cabaré, Toledo do Brasil, Legga e Ludu.

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