Agrojors moderam painéis sobre inovação e agro na SP2B
Rede foi convidada para evento em São Paulo que coloca o setor em destaque ao discutir empreendedorismo e conexões
Rede Agrojor – Rede Brasil de Jornalistas Agro
Rede Brasil de Jornalistas Agro
Rede foi convidada para evento em São Paulo que coloca o setor em destaque ao discutir empreendedorismo e conexões
Painel reuniu representantes da imprensa, do marketing e da comunicação corporativa para discutir como ampliar o diálogo entre o agro e a sociedade sem comprometer a independência jornalística A comunicação do agronegócio esteve no centro dos debates durante o Fórum Agrojor, realizado na programação do SIAVS (Salão Internacional da Proteína Animal), no dia 06 de agosto. Promovido pela Rede Agrojor (Rede Brasil de Jornalistas Agro), o encontro reuniu, de forma presencial e online, cerca de 60 jornalistas, profissionais de marketing e representantes do setor para discutir os limites, as responsabilidades e as complementaridades entre jornalismo, marketing e assessoria de imprensa na construção da imagem do agro brasileiro. Ao longo do fórum, com a participação do público presencial e online com perguntas e debates, os participantes convergiram em um ponto central: fortalecer a reputação do agronegócio brasileiro não é responsabilidade exclusiva do jornalismo nem do marketing. Trata-se de um trabalho coletivo que envolve empresas, entidades, assessorias de imprensa, veículos de comunicação e profissionais comprometidos com a transparência, a produção de informação qualificada e o diálogo permanente com a sociedade. Lideraram a discussão Mariele Previdi, vice-presidente da Rede Agrojor, Fernanda Pressinott, editora do CNN Agro e Ricardo Nicodemos, presidente da Associação Brasileira de Marketing Rural e do Agro (ABMRA). A abertura foi conduzida pela vice-presidente, que destacou a importância de promover um debate recorrente entre os profissionais da comunicação do agro. Segundo ela, é comum que jornalistas sejam questionados sobre a responsabilidade de “defender o agro”, quando, na realidade, o papel do jornalismo é informar a sociedade de forma independente e crítica. “A discussão não é jornalismo versus marketing. É compreender como cada área pode contribuir, dentro de suas atribuições, para ampliar a circulação de informações de qualidade”, destacou. A presidente da Rede Agrojor, Vera Ondei, participou por videoconferência diretamente de Xangai, na China. Em sua mensagem, ressaltou que o jornalismo evoluiu por meio do debate, da troca de experiências e da disposição para rever conceitos, defendendo a produção de um jornalismo agro cada vez mais qualificado. Independência jornalística é indispensável Fernanda Pressinott explicou que a missão do jornalista é atender ao interesse do público e não atuar como porta-voz de empresas ou setores econômicos. Ela lembrou que notícias consideradas negativas para uma organização podem ser extremamente relevantes para investidores, fornecedores, funcionários e consumidores. Segundo a jornalista, esconder informações apenas dificulta o trabalho da imprensa e aumenta o risco de interpretações equivocadas.”Quanto mais as empresas se fecham, maior é a dificuldade para contextualizar corretamente os fatos. A informação será publicada de qualquer forma. Quando a empresa se posiciona, ela ajuda a construir uma narrativa mais completa e transparente”, afirmou. Fernanda também defendeu que o agro precisa comunicar melhor temas sensíveis à sociedade. “É preciso enfrentar assuntos como uso de defensivos, desmatamento ou outros temas controversos com dados, contexto e transparência, ao invés de simplesmente negar os problemas. O setor ainda se comunica muito mal com quem está fora da porteira”, observou. Já Ricardo Nicodemos reforçou que marketing e jornalismo são atividades complementares, porém exercem papéis completamente diferentes. Enquanto a publicidade e o marketing têm a missão de construir reputação por meio de comunicação institucional, a imprensa deve preservar sua autonomia para informar, inclusive quando a pauta envolve temas negativos. “Publicidade é publicidade. Assessoria de imprensa é assessoria de imprensa. Jornalismo é jornalismo. Quando esses papéis se confundem, todos perdem, principalmente a credibilidade da informação”, afirmou. Nicodemos também alertou para a necessidade de as empresas continuarem investindo nos veículos especializados de comunicação, ressaltando que a sustentabilidade do jornalismo depende da publicidade e que a proliferação de canais próprios não substitui o papel da imprensa independente. Comunicação estratégica para aproximar cidade e campo Durante o painel, Ricardo apresentou o projeto “Marca Agro do Brasil”, desenvolvido pela ABMRA com base em pesquisas nacionais sobre percepção pública do setor. Os levantamentos mostram um contraste interessante: enquanto 65% dos produtores acreditam que a população urbana tem uma visão negativa do agro, cerca de 70% dos entrevistados nas cidades afirmam possuir uma percepção positiva do setor. O principal desafio identificado está entre o público jovem, mais influenciado pelas redes sociais e menos conectado à realidade da produção agropecuária. Segundo ele, o projeto propõe uma estratégia permanente baseada em três pilares — consistência, frequência e continuidade — para aproximar a sociedade urbana do agronegócio por meio da educação, da comunicação e do relacionamento. A campanha utiliza uma personagem chamada “Aninha”, criada a partir de pesquisas qualitativas, para apresentar o agro de forma leve, educativa e sem tom defensivo, estimulando o público a conhecer melhor a produção brasileira. Outro tema recorrente durante o fórum foi a importância de proporcionar experiências de campo para jornalistas que não atuam diretamente na cobertura agropecuária. Fernanda destacou que boa parte dos profissionais das grandes redações desconhece a dinâmica do setor e que iniciativas de aproximação podem contribuir para uma cobertura mais qualificada. Nicodemos complementou defendendo programas permanentes de relacionamento com jornalistas, visitas técnicas e ações de educação voltadas aos formadores de opinião. Transparência fortalece a reputação O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, participou brevemente da programação e ressaltou que o SIAVS nasceu justamente com o propósito de aproximar jornalistas da realidade da cadeia produtiva. Ele destacou iniciativas como o Projeto Imagem, que leva profissionais da imprensa internacional para conhecer de perto a produção brasileira, e reforçou que transparência é o melhor caminho para enfrentar críticas e combater a desinformação. “No momento em que convivemos com tantas fake news, o papel do jornalismo sério e da comunicação responsável torna-se ainda mais importante para mostrar a realidade do setor”, afirmou. Você ainda não faz parte da Rede Agrojor? Clique aqui e entre para a maior comunidade de jornalistas agro do país.
Rede Agrojor incentiva participação de associados em programa que amplia a visão e formação de profissionais especializados em agro Jornalistas especializados em agronegócio membros da International Federation of Agricultural Journalists (IFAJ) podem se inscrever para participar do programa Exposure-4-Development (E-4-D) 2026, que será realizado na Costa Rica entre os dias 18 e 26 de outubro. As inscrições seguem abertas até 7 de agosto e os profissionais selecionados serão comunicados até o dia 15 do mesmo mês. A iniciativa reunirá 12 jornalistas de diferentes países para uma imersão na agricultura tropical costarriquenha, proporcionando uma experiência de campo voltada ao conhecimento da produção agrícola, sustentabilidade, comércio internacional e desafios do setor. Vice-presidente Internacional da Rede Brasil de Jornalistas Agro (Rede Agrojor), Daniel Duarte Azevedo, incentiva os associados a aproveitarem as oportunidades. “O programa é uma das iniciativas mais interessantes da IFAJ para ampliar a formação e a visão internacional de jornalistas especializados no agro. Além de proporcionar acesso direto à realidade da produção em diferentes países, cria oportunidades de intercâmbio, fortalece redes de relacionamento e contribui para uma cobertura cada vez mais qualificada dos grandes desafios globais do setor”, afirma. Segundo Azevedo, o programa já levou jornalistas de diferentes partes do mundo para missões técnicas em países como Tailândia, Brasil, China, Zâmbia, Tanzânia e Quênia, consolidando-se como uma importante ferramenta de desenvolvimento profissional para comunicadores do agro. CONHECIMENTO TÉCNICO E POLÍTICO – Consta na programação visitas em propriedades produtoras de leite, cacau, abacaxi, café e óleo de palma, além do principal porto da Costa Rica voltado ao comércio pelo Oceano Atlântico. O grupo também terá encontros com autoridades e especialistas em políticas agrícolas, comércio exterior, meio ambiente e manejo de pragas. Viabilizado por uma parceria com a CropLife International, o programa oferece uma oportunidade acessível de intercâmbio internacional. Os jornalistas selecionados deverão arcar com uma taxa de participação de € 400, além das despesas de deslocamento até San José, capital da Costa Rica. Podem se candidatar jornalistas vinculados a associações membros da IFAJ em situação regular. A seleção será realizada por um júri internacional, que prioriza profissionais com interesse e potencial para produzir reportagens e conteúdos a partir da experiência vivenciada durante a missão. Como participar
Visto pelos olhos dos jornalistas, o que foi o IFAJ Mid-Term Executive Meeting, evento da Federação Internacional de Jornalistas Agro organizado pela Rede Agrojor
As inscrições para o Mid-Year Executive Meeting da Federação Internacional de Jornalistas Agro (IFAJ), que será realizado no Brasil em março de 2026, já registram cerca de 60 pré-inscrições, na abertura oficial, Desse total, 30 jornalistas confirmaram participação. Para o vice-presidente internacional da Rede Agrojor, Daniel Azevedo, os números mostram um movimento do público internacional em torno do encontro, que já era esperado pela Rede Agrojor. “A receptividade durante o congresso mundial foi grande e isso refletiu nas inscrições”, afirma. Azevedo se refere ao Congresso Mundial da IFAJ 2025, realizado em Nairóbi, no Quênia, onde o Brasil fez uma exposição do que será apresentado pelo país durante o executive meeting. O evento acontece entre 15 e 20 de março de 2026 e está sendo organizado pela Rede Agrojor. A base das operações será na cidade de São Carlos (SP). Esta será a primeira vez que o Executive Meeting ocorrerá no Brasil. Desde a confirmação da sede, a entidade estruturou um grupo de trabalho para planejar o encontro. Segundo Azevedo, a definição da cidade-sede e do roteiro foi uma das etapas centrais da organização, principalmente para conciliar logística e diversidade de conteúdo em uma mesma região. A fase atual envolve ajustes finais, atendimento de demandas dos participantes e consolidação de parcerias. A programação inclui visitas a propriedades rurais, centros de pesquisa, universidades, cooperativas e empresas do setor. Entre os temas que devem ser abordados estão grãos, pecuária, cana-de-açúcar, laranja, café, agricultura familiar tecnificada, flores, integração lavoura-pecuária-floresta, biológicos, nanotecnologia, robótica e uso de dados espaciais. Também estão previstas as reuniões oficiais da diretoria da IFAJ. Para Azevedo, além da troca de experiências e acesso a informações qualificadas, o evento também representa uma etapa estratégica para que o Brasil dispute futuramente a sede do Congresso Mundial da IFAJ. “Precisamos realizar esse evento com qualidade, continuar construindo relacionamento e demonstrar capacidade de organização”, afirma. O encontro também reforça um processo iniciado em 2019, quando uma delegação de jornalistas estrangeiros esteve no Brasil em press tour, contribuindo para a consolidação da Rede Agrojor no cenário internacional. Você ainda não faz parte da Rede Agror? Clique aqui se torne membro da maior comunidade de jornalistas agro do Brasil.
O jornalista Bruno Pinheiro Faustino, associado da Rede Agrojor, chegou à marca de 50 prêmios de jornalismo em 2025. O número foi alcançado com a conquista do Prêmio Sindilat de Jornalismo, sigla para Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados, com uma reportagem sobre a discussão em torno do uso da palavra “leite” em produtos de origem vegetal. Faustino iniciou a carreira aos 19 anos, na rádio CBN Vitória, no Espírito Santo e afirma que o acúmulo de experiências ao longo dos anos tem papel direto na evolução do trabalho. “Acho que olhando para trás vejo meu crescimento profissional”, afirma. A reportagem premiada nasceu durante a cobertura da Expointer (Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agrícolas), uma das maiores feiras agropecuárias do Brasil, realizada anualmente no Parque Assis Brasil, em Esteio (RS). Faustino relata que a pauta surgiu a partir de uma dúvida recorrente entre profissionais do setor e consumidores. A partir disso, ele aprofundou a apuração sobre o debate envolvendo a definição do termo “leite” e as propostas para restringir o uso da palavra apenas para bebidas de origem animal. “Cheguei na Expointer para cobrir a feira e me deparei com um questionamento: será que leite é tudo igual?”, conta. Ele ouviu entidades como a Sindilat, Abraleite (Associação Brasileira dos Produtores de Leite) e CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) e acompanhou o tema até o Congresso Nacional. Segundo Faustino, a proposta envolve a revisão de nomenclaturas e o entendimento de que leite e derivados seriam produtos exclusivamente de origem animal. Ao analisar a própria trajetória, Faustino destaca a influência de experiências anteriores em diferentes formatos de comunicação. Ele já atuou em rádio, jornal, portal e televisão e explica que parte da linguagem usada hoje no jornalismo agro veio do período em que trabalhou com esporte.“Esse jeito de contar histórias veio do esporte”, explica. A produção de reportagens com foco em comportamento no jornalismo esportivo contribuiu para a forma como constrói narrativas atualmente. Sobre 2025, ele classifica o período como um ano de muito trabalho, com rotina intensa de deslocamentos e produção. Segundo o jornalista, o volume de prêmios recebidos no ano entre sete e oito reconhecimentos reflete esse esforço. “2025 foi um ano de muito trabalho”, afirma. Ele conta que passou longos períodos viajando, esteve em poucas ocasiões com a família e vê as conquistas como resultado direto dessa dedicação. Faustino também destaca o papel da Rede Agrojor no processo de troca entre profissionais do jornalismo agro. Ele afirma que já vinha sendo incentivado a ingressar na entidade e reforça a importância do espaço coletivo para compartilhamento de experiências entre profissionais com diferentes trajetórias.“É muito legal quando você faz parte de uma entidade em que todo mundo fala do mesmo assunto e em que você é ouvido também”. Ao olhar para frente, Faustino afirma que a motivação permanece ligada ao desejo de continuar produzindo e aprimorando o próprio trabalho e que já pensa nos próximos projetos e em novas metas para os próximos anos.“O Bruno chegou à marca de 50 prêmios de jornalismo, mas já estou pensando no 51”, afirma. Você ainda não faz parte da Rede Agrojor? Clique aqui e venha para a maior comunidade global de jornalistas agro.
A jornalista Fernanda Pressinott, associada da Rede Agrojor, vai assumir em 2026 um novo desafio na carreira, a liderança do núcleo de agronegócio da CNN Brasil. O anúncio nesta quarta-feira (17), marca mais um passo na trajetória de uma profissional reconhecida pela atuação no jornalismo econômico e agropecuário. Em mensagem compartilhada com os associados da Rede Agrojor, a jornalista destacou a felicidade de enfrentar um novo desafio e falou sobre as expectativas de seguir construindo pontes com colegas do jornalismo agro. “Estou muito feliz com essa oportunidade e animada para essa nova etapa. Espero que possamos construir várias matérias junto”, afirmou. Com cerca de duas décadas de experiência, Fernanda construiu sua carreira cobrindo temas ligados ao agronegócio, economia e mercado. Atualmente, atua como editora-assistente do hub de agro do Grupo Globo, para as plataformas Globo Rural, Valor Econômico, O Globo e CBN. No Valor Econômico, onde trabalha desde 2012, sua atuação direta na editoria de agro completou 13 anos em 2025. Ao longo da carreira, Fernanda se especializou na produção e edição de conteúdos analíticos e estratégicos, com foco em jornalismo setorial. Sua experiência inclui edição, redação, estratégia de conteúdo e otimização para mecanismos de busca (SEO), voltados à qualificação da informação e o cenário do agro brasileiro. Sua formação acadêmica reforça esse perfil. Fernanda possui estudos em Marketing e Comunicação Digital pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), além de formação executiva em Agronegócio pelo Insper. À frente do núcleo de agronegócio da CNN Brasil a partir de 2026, Fernanda será responsável por conduzir a cobertura especializada da plataforma, voltada à análise, contexto e acompanhando os principais movimentos do setor. A Rede Agrojor parabeniza Fernanda Pressinott pela conquista e deseja sucesso nessa nova fase profissional. Você ainda não faz parte da Rede Agrojor? Clique aqui e venha para a maior comunidade global de jornalistas agro.
A Rede Agrojor realiza, nesta terça-feira (14 de outubro), às 10h, o workshop “COP 30 e sua importância para o Brasil”, com apoio da Bayer. O evento será transmitido pela plataforma Zoom, aberto a associados e não associados da Rede Agrojor. O convidado desta edição é Renato Rodrigues, head de agronegócio da Terradot, empresa que se dedica a projetos de carbono, clima e agricultura regenerativa, com cerca de 20 anos de experiência em gestão e pesquisa. É pós-doutor pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e professor visitante com MBA executivo na Fundação Dom Cabral. Rodrigues atua também como membro do Comitê de Sustentabilidade da Associação Brasileira de Agronegócio (ABAG), além de revisor voluntário da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC na sigla em inglês), sobre temas relacionados a gases de efeito estufa. O workshop abordará os desafios e oportunidades que a COP 30, em Belém (PA), representa para o setor agropecuário e para o Brasil no cenário climático global. A proposta é trazer para o ecossistema da Rede Agrojor informações que possam contribuir com o trabalho jornalístico sobre o papel do agro na transição para uma economia de baixo carbono, com foco em inovações e sustentabilidade. O link de acesso ao evento estará nas redes sociais da Rede Agrojor e será enviado por e-mail aos seus associados. Ainda não faz parte da Rede Agrojor? Clique aqui e entre para a maior comunidade de jornalistas agro do mundo.
O jornalismo agro internacional vive uma contradição permanente: nunca houve tanta demanda por informação especializada. Ao mesmo tempo, nunca foi tão desafiador construir uma carreira financeiramente viável como freelancer como nos dias atuais. Essa foi a tônica do webinar promovido pela Federação Internacional de Jornalistas Agro (IFAJ), intitulado De pitch ao contracheque: fazendo o freelancer funcionar. O encontro, mediado pelo argentino Addy Rossi, vice-presidente da entidade, reuniu três profissionais que acumulam experiências em diferentes continentes: a sul-africana Lindi Botha, a brasileira Sarah Kirchhof e o alemão Christian Mühlhausen. A primeira questão que surgiu foi a mais objetiva: é possível viver de jornalismo freelancer? Sarah contou que sua mudança para a Alemanha, motivada pela carreira do marido, forçou uma reorganização profissional. Ela passou a dividir o jornalismo com trabalhos de comunicação e de mestre de cerimônias em eventos do setor agro. “Eu moro na Europa, mas com uma conexão direta com o meu país de origem. Posso dizer que sim, é viável, mas há desafios, com certeza. É importante pesquisar o custo de vida e planejar uma reserva mínima para os primeiros meses até que a renda se estabilize.” Christian, com mais de três décadas na profissão, encontrou no equilíbrio entre texto e fotografia uma forma de sustentar sua independência. “Descobri rapidamente que se eu vender uma história junto com fotos, ganho mais do que apenas com o texto. Essa combinação é o que me permite viver do trabalho.” Ele construiu um banco de imagens que hoje responde por metade de sua receita, com clientes que buscam conteúdos agrícolas, florestais e ambientais em escala internacional. “Mesmo quando estou fora do escritório, a base gera retorno. Esse é meu maior ativo.” Lindi foi clara ao apontar que o pânico inicial faz parte da trajetória. “Nos primeiros anos, você entra em desespero porque a renda é incerta. É importante projetar três ou quatro meses à frente para decidir se vale aceitar ou recusar um novo projeto.” Para ela, a diversificação é essencial: “Trabalhos de comunicação garantem retorno estável e permitem planejar. Só com jornalismo puro, é difícil sustentar.” O perfil do freelancer e as armadilhas do caminho Se a viabilidade depende de planejamento, a sustentabilidade passa pelo perfil. Sarah acredita que coragem é o primeiro requisito. “A primeira coisa é não ter medo. É preciso abertura a desafios, planejamento e uma rede de contatos sólida.” Christian reforçou que 50% do que conquistou veio da sua rede. “Para ser freelancer é uma questão de coração. Eu poderia ganhar mais em outra função, mas decidi há 20 anos que preferia trabalhar por conta própria. Nunca me arrependi.” Lindi ressaltou a confiabilidade como traço decisivo. “Estou convencida de que ainda tenho trabalho porque entrego no prazo e sigo o briefing. O editor não quer ouvir sobre problemas pessoais, só precisa da história pronta. O freelancer precisa ser um resolvedor de problemas.” Mas nem tudo é técnica. Há armadilhas que comprometem a reputação e o futuro. Sarah lembrou que, em uma carreira internacional, não se deve esperar reconhecimento imediato. “Ganhar a confiança da sua fonte pode levar muito tempo. É preciso paciência.” Christian foi direto ao falar de finanças: “Não confunda retorno com lucro. Como freelancer, você precisa cuidar de saúde, aposentadoria e impostos. Isso não pode ser esquecido.” Já Lindi destacou o risco de aceitar trabalho em excesso e perder qualidade. “Se você falha com um editor, ele não usará você de novo. Reputação é tudo.” As perguntas do público ampliaram o debate. Sobre como precificar o trabalho, Lindi foi pragmática: “A mídia está sob forte pressão e paga cada vez menos. O risco é ceder e cobrar abaixo do valor real. É preciso resistir e não se subestimar.” Christian acrescentou que a negociação deve considerar também o volume. “Às vezes não consigo aumento, mas se um editor aceita comprar dez fotos em vez de duas, o ganho compensa.” A chegada da inteligência artificial também entrou na pauta. Christian disse que vê a ferramenta como aliada. “Uso para levantar nomes de empresas ou para revisar um texto e identificar pontos a melhorar. Como freelancer, muitas vezes não recebemos feedback, e a IA ajuda a suprir essa lacuna.” Mas se há algo que os três concordaram é que o segredo da continuidade está na capacidade de se manter visível. Lindi defendeu o uso disciplinado das redes. “Não é preciso postar todos os dias, mas mostrar que você está ativo gera confiança. Muitas vezes, o boca a boca abre portas.” Christian contou que até pequenos registros no Facebook de sua agência funcionam como vitrine. “Quando clientes veem que estou em campo, reconhecem que continuo ativo. Isso gera novos trabalhos.” Sarah destacou que criou um site para reunir seu portfólio e facilitar a apresentação a potenciais clientes. “É preciso se expor, seja online ou pessoalmente. Essas conexões fazem diferença.” Para Lindi, o real futuro do jornalismo freelancer está em acreditar que apesar da retração do mercado editorial, sempre haverá espaço. “Sempre será necessário alguém que vá a uma fazenda e conte a história em primeira mão. Há coisas que a inteligência artificial não pode substituir.” Sarah reforçou que a IFAJ, ao organizar eventos como este, cumpre papel central de apoiar freelancers, gerando conexões e compartilhando práticas. Christian encerrou lembrando que congressos e encontros internacionais continuam sendo um dos pilares para sustentar a rede global. “O mais importante é que possamos nos encontrar, compartilhar experiências e manter vivas as conexões que garantem trabalhos em diferentes partes do mundo.” Para eles, ser freelancer no jornalismo agro tem sido mais que uma ocupação, é uma escolha de vida. Exige disciplina, coragem, habilidade de se reinventar e a consciência de que reputação, rede e confiança valem tanto quanto qualquer contrato assinado. E que, apesar da retração do mercado editorial, sempre haverá espaço. “Sempre será necessário alguém que vá a uma fazenda e conte a história em primeira mão. Há coisas que a inteligência artificial não pode substituir”, disse Lindi. Sarah reforçou que a IFAJ, ao organizar eventos como este, cumpre papel central
A Rede Brasil de Jornalistas Agro (Rede Agrojor), grupo formado por profissionais que atuam na cadeia produtiva da agropecuária, vai promover no dia 19 de outubro o 1º Diálogos Agrojor. A criação da série tem por objetivo integrar jornalistas e profissionais de comunicação que atuam no agronegócio, trazendo para o debate personalidades que possam contribuir, por meio de conhecimento, ciência e atualidades, para um melhor entendimento sobre os impactos que a profissão vem enfrentando. O 1º Diálogos Agrojor levantou três frentes de interesse da comunicação e que impactam no dia a dia do jornalista. São elas: Inteligência Artificial (IA) generativa, fake news e comunicação corporativa. Aberto a associados e não-associados, o evento contará com dois painéis e dois pitchs, seguidos de um debate entre mesa e participantes, marcado para o período de 9h às 12h30. As inscrições podem ser feitas pelo link: https://eventos.linka.la/agrojor-out-2023 Criada em abril de 2022, a Rede Agrojor conta com 75 jornalistas associados e cerca de 2 mil seguidores em suas redes sociais. A Rede Agrojor é filiada e representante no Brasil da IFAJ (International Federation of Agricultural Journalists), entidade global que reúne 6 mil profissionais de cerca de 60 países. O evento tem como patrocinador Ouro a Syngenta e patrocinadores Prata Corteva, Koppert e Yara. O apoio institucional é do Instituto Pecege. Confira a programação completa do 1º Diálogos Agrojor: 1º Painel Inteligência Artificial Generativa no Jornalismo – Desafios e Oportunidades DEBATEDORES: Magaly Parreira do Prado – Pesquisadora, escritora e professora na PUC-SP e USP Luiz Pacete – Editor de tecnologia e inovação da Forbes e head de conteúdo da MM Latam Eduardo Tessler – Consultor de empresas de comunicação, sócio-diretor do Mídia Mundo MEDIADORA: Alessandra Melo, jornalista associada à Rede Agrojor e editora do Agfeed Espaço Pitchs Fake News e qualidade de fonte de dados Apresentação: Fanny Lothaire – correspondente internacional Leandro Becker – editor-chefe da Lupa 2º Painel Tendências da Comunicação Corporativa DEBATEDORES: Jorge Soufen Júnior – Diretor de atendimento na 2PRÓ Comunicação Nicholas Vital – Curador do Lab de Comunicação para o Agronegócio da Aberje e diretor da ABMRA Eduardo Ribeiro – diretor da Mega Brasil Comunicação, da Jornalistas Editora Mediador: Altair Albuquerque, jornalista associado à Rede Agrojor e diretor da Texto Comunicação A manhã também contará com a participação de Steve Werblow, vice-presidente da IFAJ. A condução, como mestre de cerimônia, será de Renato Pezotti, associado à Rede Agrojor e editor do UOL. O 1º Diálogos Agrojor tem como patrocinador Ouro a Syngenta. São patrocinadores Prata a BP Bunge Bioenergia, CNH Industrial, Corteva, John Deere, Koppert e Yara. Patrocinador Bronze: Grupo Santa Clara. O apoio institucional é do Instituto Pecege.