Como o Executive Meeting IFAJ testa na prática o olhar do jornalista agrícola

Como o Executive Meeting IFAJ testa na prática o olhar do jornalista agrícola

Qual o olhar do jornalista sobre a sua produção de conteúdo e como ele aprende trabalhando? Na quarta-feira (18), o Executive Meeting da Federação Internacional de Jornalistas Agrícolas (IFAJ), organizado pela Rede Agrojor, percorreu polos de pesquisa, cooperativas e empresas do interior de São Paulo com os 51 jornalistas de 23 países que estão no Brasil até esta sexta-feira (20). A agenda do dia partiu de São Carlos (SP) e passou por Piracicaba, Charqueada e Descalvado, reunindo jornalistas de diferentes países para observar sistemas produtivos, tecnologias e modelos de negócio do agronegócio brasileiro.

O roteiro incluiu o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e a Coplacana, cooperativa de fornecedores de cana, em Piracicaba, além do Esalq/Sparcbio, voltado ao controle biológico. Em Charqueada, o grupo visitou a Koppert, com produção em escala de insumos biológicos. O dia foi encerrado na Agrindus, em Descalvado, com produção de leite A2A2.

O interior paulista concentra parte relevante da pesquisa aplicada ao agronegócio. O CTC atua no desenvolvimento de variedades de cana-de-açúcar e tecnologias de manejo, com impacto direto sobre produtividade e teor de sacarose. A Coplacana reúne produtores e oferece insumos, assistência técnica e serviços, integrando pequenos e médios fornecedores à cadeia sucroenergética.

Na Esalq, por meio do Sparcbio, o foco está no controle biológico de pragas, com uso de inimigos naturais em substituição parcial a defensivos químicos. A Koppert, empresa de origem holandesa instalada no Brasil desde 2011, produz agentes biológicos em escala industrial, com foco em manejo integrado de pragas. Segundo a própria companhia, o país é um dos principais mercados globais de bioinsumos.

Na pecuária leiteira, a Agrindus trabalha com genética A2A2, voltada a consumidores que buscam leite com perfil proteico específico. A fazenda mantém controle sobre nutrição, sanidade e rastreabilidade do rebanho, com produção verticalizada.

Ao longo das visitas, jornalistas acompanharam processos produtivos e questionaram dados de escala, custos e mercado. A troca de experiências entre profissionais de diferentes regiões foi parte central da dinâmica.

Nanette Giovaneli, do Círculo Argentino de Periodistas Agropecuários, afirmou que o contato com sistemas produtivos brasileiros amplia a compreensão regional. “Para nós, argentinos, é muito importante ver como nossos vizinhos trabalham nas diferentes produções. O Brasil está sempre um passo à frente em tudo. A jornada foi muito completa e com muita informação”, disse.

Ela destacou a diferença de abordagem entre jornalistas de regiões distintas. “Penso no produtor ou no consumidor argentino. Mas também observo o que colegas da Europa perguntam. Eles focam na história do produtor, na sustentabilidade, na rastreabilidade e no bem-estar animal. Isso ajuda a entender o que esses mercados demandam”, afirmou.

A circulação por ambientes produtivos distintos, no mesmo dia, expôs a diversidade do agronegócio brasileiro, do laboratório ao campo, da cooperativa à indústria. Para os participantes, o contato direto com as operações altera a forma de formular perguntas e organizar informações.

Kallee Buchanan, jornalista australiana, destacou a velocidade e a qualidade da produção de conteúdo no Brasil. “Fiquei muito impressionada com a rapidez e a qualidade do conteúdo produzido. As fotos e os vídeos que vemos todos os dias dos jornalistas agrícolas brasileiros são impressionantes, especialmente considerando a dimensão do país e a diversidade de commodities”, disse.

Ela afirmou que a experiência também trouxe aprendizado técnico. “Eu sempre aprendo novas técnicas de fotografia, já que não sou fotojornalista por formação.

Observar como outros jornalistas enquadram imagens da indústria foi importante. Ver profissionais fotografando cana-de-açúcar pela primeira vez e ainda assim produzindo bons registros mostra a capacidade de adaptação”, afirmou.

O alemão Christian Mühlhausen, que atua com reportagem e fotografia e fundou a agência Landpixel, destacou o uso de tecnologias de imagem. “Tem sido excelente usar drones aqui. É a melhor forma de cobrir a escala das propriedades. No Brasil, eles são essenciais para mostrar o tamanho real das áreas, algo diferente da Europa, onde o espaço é mais limitado”, disse.

Ele também ressaltou a importância de observar diferentes realidades produtivas. “É fundamental adotar a perspectiva do outro. Há quem veja a Europa como referência única de sustentabilidade, mas isso não corresponde à realidade. No Brasil, há produção organizada, com padrões elevados e investimento em pesquisa”, afirmou.

A agenda também mostrou a presença crescente de tecnologias biológicas e a integração entre pesquisa acadêmica e produção comercial. Dados da Embrapa indicam que o uso de bioinsumos cresce no país em taxas anuais superiores a 10%, impulsionado por demanda por redução de resíduos e adaptação a exigências de mercado.

No caso da cana-de-açúcar, o Brasil mantém liderança global, com produção estimada em mais de 600 milhões de toneladas por safra, segundo a Conab. Já o leite, com mais de 34 bilhões de litros anuais, segundo o IBGE, passa por segmentação de mercado, com nichos como o A2A2.

Para os jornalistas, a imersão em diferentes cadeias produtivas, em um único dia, amplia o repertório técnico e permite cruzar informações entre setores. A observação direta dos processos, combinada ao intercâmbio internacional, contribui para a construção de reportagens com maior contextualização.

“O que levamos daqui é a capacidade de olhar para o campo com mais camadas de informação”, afirmou um dos participantes ao final da agenda.

O Executive Meeting tem como patrocinadores Ouro a Bayer, a John Deere e Yara Fertilizantes, mais a Basf (Prata) e Corteva (Bronze). E conta com o apoio da ABAG, Ford, Cachaça Cabaré, Toledo do Brasil, Legga e Ludu.

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