Quando o assunto é mudanças climáticas no Brasil, poucos nomes carregam tanto peso científico quanto Paulo Artaxo e José Marengo. Os dois pesquisadores participam nesta quarta-feira (24), às 9h, do workshop da Rede Agrojor “Como cobrir mudanças climáticas sem cair em narrativas prontas?”, encontro exclusivo para associados.
Embora frequentemente apareçam lado a lado em debates sobre clima, suas trajetórias seguiram caminhos diferentes e complementares.
Paulo Artaxo passou a carreira tentando responder uma pergunta que ganhou importância global nas últimas décadas: qual é o papel da Amazônia no equilíbrio climático do planeta? Físico de formação e professor titular da Universidade de São Paulo (USP), tornou-se uma das maiores referências mundiais em estudos sobre aerossóis atmosféricos, queimadas, qualidade do ar e interação entre floresta e atmosfera. Seu trabalho ajudou a demonstrar como a floresta amazônica influencia a formação de nuvens, os regimes de chuva e o ciclo global do carbono.
Ao longo da carreira, participou de projetos científicos em instituições como Harvard, Instituto Max Planck e Nasa, além de integrar sucessivos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), principal órgão científico da ONU para o tema. Hoje, está entre os pesquisadores brasileiros mais citados da literatura científica internacional.
Se Artaxo ajuda a explicar como funciona o sistema climático, José Marengo dedica sua carreira a entender como as mudanças nesse sistema afetam a vida das pessoas.
Nascido no Peru e radicado no Brasil há mais de 30 anos, Marengo é climatologista e pesquisador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Seu nome está associado a alguns dos estudos mais importantes já produzidos sobre secas, enchentes, ondas de calor e eventos climáticos extremos na América do Sul.
Foi um dos pioneiros na construção de cenários climáticos para o continente e participou dos debates que moldaram a compreensão científica sobre os riscos do aquecimento global para recursos hídricos, agricultura, cidades e infraestrutura. Nas últimas décadas, tornou-se uma das principais vozes científicas brasileiras quando o assunto é adaptação climática e prevenção de desastres.
Para quem acompanha as discussões sobre clima, meio ambiente e agropecuária, o encontro reúne dois pesquisadores que ajudaram a construir parte do conhecimento científico que hoje orienta governos, empresas e organismos internacionais sobre um dos temas mais relevantes do século 20.
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