Hora de ir para o campo: o que foi o início da viagem IFAJ/Agrojor ao agro brasileiro

Hora de ir para o campo: o que foi início da viagem IFAJ/Agror ao agro brasileiro
Flavio Marchesin, do Sitio São João, fala sobre a floresta recuperada Foto: Duavesso/Agrojor

Eles vieram com repertório técnico, referências de políticas públicas e sistemas produtivos de diferentes continentes. No segundo dia do Executive Meeting Brazil, nesta segunda-feira, evento que vai até sexta-feira (20), jornalistas de 23 países passaram a testar, no campo, o que conheciam do agro brasileiro.

Em São Carlos (SP), a visita a uma propriedade de agricultura familiar e às unidades da Embrapa transformou a agenda técnica em uma sequência de perguntas sobre renda, preservação e aplicação da ciência.

O grupo reúne 51 profissionais ligados ao jornalismo agrícola, muitos com formação em agronomia, economia rural ou ciência dos alimentos. Parte atua em veículos especializados, outros em cooperativas, fundações de inovação e associações de produtores. A diversidade de origem traça o tom das perguntas.

Patrick Dupuis, do Canadá, é um jornalista formado em agronomia pela McGill University, membro da Atlantic Canada Farm Writers’ Association. Veterano editor com cerca de três décadas no jornalismo, com atuação, por exemplo, na revista Coopérateur, uma das principais publicações do cooperativismo agrícola do país Dupuis, observa o campo com base em modelos organizados em torno de assistência técnica e crédito estruturado. Sobre o Sítio São João, sua atenção estava no desenho produtivo. “Sim, nesta propriedade eles querem restaurar, regenerar e querem diversificar. Acho que é um bom plano para a agricultura familiar.”

A leitura parte de um referencial em que diversificação e regeneração estão associadas a políticas públicas e instrumentos de mercado. No sítio de 14 hectares, com três hectares de mata e produção de cerca de 40 alimentos, a pergunta que pairava no ar ao ouvirem as explicações do proprietário do sítio e que veio de vários integrantes era a mesma: onde está a remuneração por preservar. “Não temos, mas compensa, porque para eu ter minhas plantações é preciso ter mata”, diz Flávio Marchesin.

Entre os jornalistas, a agenda da sustentabilidade aparece associada a métricas, financiamento e regulação. No sítio, o grupo encontrou um sistema funcional sem esses instrumentos formalizados. A recuperação da mata ciliar do Ribeirão Feijão, que abastece São Carlos, não gera pagamento direto ao produtor.


Marchesin conta que foi uma oportunidade única receber em sua propriedade um grupo diverso e que foi um desafio das todas as respostas. “Acho que conseguimos passar o recado, do que são as questões da agricultura familiar, das tecnologias que foram implantadas para proteger o Ribeirão Feijão, a situação da nossa horta, a condição em ser bem diversificada com as PANCs, por exemplo. Acredito que entenderam minha pequena propriedade e sua dinâmica.”

A reação dos jornalistas partiu da comparação com seus países de origem. Em vários deles, práticas semelhantes estão vinculadas a subsídios, créditos de carbono ou pagamentos por serviços ambientais. No caso observado, a preservação aparece como custo incorporado à produção.

A passagem pelas duas unidades da Embrapa reorganizou o foco das perguntas. Na unidade Pecuária Sudeste, o grupo encontrou sistemas estruturados, com dados de produtividade, recuperação de pastagens e integração entre lavoura, pecuária e floresta. O modelo ILPF responde a parte das questões levantadas pela manhã, ao associar intensificação produtiva e conservação.


No Laboratório Nacional de Pesquisa em Agricultura de Precisão e na Embrapa Instrumentação, o eixo passou a ser a ciência. Sensores, robótica, fotônica e nanotecnologia apresentaram um ambiente de alta capacidade técnica. O contraste com a pequena propriedade foi imediato. As perguntas migraram para a transferência dessas tecnologias, como chegam ao produtor, qual o gradiente de escala e o seu custo.

A chilena Cecilia Casanova Carrillo, ligada ao ecossistema de inovação e comunicação agrícola, entre elas na Fundación para la Innovación Agraria (FIA), acompanha a agricultura a partir de programas de inovação e financiamento público. Sua atenção se desloca para o papel da pesquisa.

“É a primeira vez que participo deste tipo de atividade. E se tivesse que destacar algo, seriam os projetos de pesquisa que estão sendo desenvolvidos. Os projetos de pesquisa para aproveitar melhor a água, para a nutrição das plantas. Tudo o que apoia a sustentabilidade, que é para onde o setor do agronegócio deveria ir em nível mundial.”

Para Steve Werblow, jornalista norte-americano e presidente da IFAJ, as três referências simultâneas do segundo dia da programação do Executive Meeting – agricultura familiar diversificada; produção integrada em escala e a pesquisa de alta complexidade – vem com ainda mais questionamentos e surpresas da como o Brasil vem transformando os sistemas alimentares. “É muito impressionante ver in loco a ciência que o Brasil aplica na agricultura. E está em linha com o tamanho do país e sua importância como produtor de alimentos. É um começo de viagem fantástico.”

Você ainda não faz parte da Rede Agror? Clique aqui e entre para a maior comunidade de jornalistas agro do Brasil

Hora de ir para o campo: o que foi o início da viagem IFAJ/Agrojor ao agro brasileiro

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *