Agro brasileiro ganha voz em 16 países após Executive Meeting da IFAJ

Jornalistas estrangeiros na Embrapa Pecuária Sudeste. Foto: RedeAgrojor

Agro brasileiro ganha voz em 15 países após visita de jornalistas ao Executive Meeting da IFAJ
O campo brasileiro chegou às páginas de veículos especializados da Argentina à Noruega, da Irlanda à Eslováquia. Nos meses que se seguiram ao Executive Meeting da Federação Internacional de Jornalistas Agro (IFAJ), realizado no Brasil entre 15 e 20 março de 2026 pela Rede Agrojor, 50 jornalistas de 22 países transformaram a imersão de seis dias em reportagens que alcançaram 16 nações e geraram 30 publicações em diferentes idiomas e plataformas.

“Este é um monitoramento constante, porque os jornalistas que estiveram no Brasil saíram com muitas pautas levantadas que vão sendo escritas ao longo do ano. Significa que a lista tende a aumentar. Também não está no levantamento as entradas ao vivo e as postagens em redes sociais durante o Executive Meeting”, diz Vera Ondei, presidente da Rede Agrojor. “Nossa intenção é que a Rede Agrojor se torne um ecossistema de consultas e de apoio às reportagens internacionais. E já estamos fazendo isso, por meio de um grupo de whatsapp criado durante o evento.”


O Executive Meeting contou com roteiro que passou por dez municípios do interior paulista, com visitas às fazendas, agroindústrias, universidades e centros de pesquisa, com contato direto com cadeias produtivas que vão de grãos e pecuária a café, flores e agricultura digital.

O que os estrangeiros escreveram sobre o Brasil

Nos Estados Unidos, dois dos maiores portais de agronegócio do país, Farm Progress e AgDaily, abriram espaço para análises sobre o agro brasileiro. O Farm Progress publicou que o boom agrícola do Brasil oferece lições ao mundo, apontando três aprendizados centrais: escala não é sinônimo de eficiência, a pesquisa própria faz diferença e a autoconfiança é um ativo estratégico. Já o AgDaily tratou de temas como a expansão de área, os biocombustíveis, a competitividade nas commodities e as barreiras sanitárias ao escoamento da soja.

Na Irlanda, a editora de agricultura do Irish Examiner, Rachel Martin, abordou o poder brasileiro na produção de açúcar e o que a Europa perde ao não incorporar o etanol de cana nas metas de biocombustíveis. O título escolhido pela jornalista traduz a lacuna que o Brasil ainda ocupa na imaginação do leitor europeu: “O Brasil produz o açúcar do mundo — então por que quase nada disso chega à Irlanda?”

A Eslováquia concentrou o maior volume de publicações individuais: cinco textos no portal Polnoinfo, com abordagens que atravessaram a pecuária leiteira, a viticultura, o perfil de um imigrante holandês que se tornou produtor no Brasil e o modelo de ecossistemas produtivos do país, mais exigente e sem subsídios em comparação ao europeu.

No Chile, o Diario Frutícola publicou três matérias distintas, incluindo uma sobre o controle biológico na cana-de-açúcar, com 5 milhões de hectares protegidos pela técnica, e outra com análise de Margarete Boteon, pesquisadora do Cepea/Esalq, sobre estratégias para agregar valor à fruta brasileira no mercado externo.

A Argentina abriu duas reportagens no portal Campo Abierto com o formato de giro a campo pelo Brasil, narrando o que os jornalistas viram e ouviram ao longo da semana. A Noruega trouxe perfis humanos: o Norsk Landbruk publicou a história de Lucas Del Passo, produtor de café cujo produto é considerado sofisticado demais para o paladar médio brasileiro, e o caso de Aline Vick, economista que trocou a cidade por 1.100 hectares no campo.

Inglaterra, Eslovênia, Finlândia, Áustria, Canadá, Quirguistão e Nigéria completam a lista de países com publicações. O canal nigeriano optou pelo vídeo, com material distribuído no YouTube. Dinamarca e Suécia geraram publicações em formatos anexos, ainda em fase de consolidação.

Uma semana que virou pauta em cinco continentes

A cobertura internacional não nasceu de press releases ou campanhas de marketing institucional. Nasceu da experiência direta dos jornalistas com o campo. Fato é que cada jornalista levou para seu país um recorte diferente: o que chamou a atenção em Dublin não é o mesmo que mobilizou Bratislava ou Oslo.

Daniel Azevedo Duarte, vice-presidente da Agrojor, conta que terminado o Executive Meeting, as trocas no grupo de whatsapp continuam intensas. “Certamente, é uma das maiores coberturas internacionais sobre um evento único do agro brasileiro”, diz ele, que destaca o valor da qualidade do conteúdo produzido, com informação qualificada sobre diferentes aspectos do setor no Brasil. “Gostaria de parabenizar aos colegas estrangeiros pela seriedade e alto nível das coberturas.”

Por conta dessa amplitude, para a Rede Agrojor o saldo vai além do volume de publicações. O evento marcou a primeira vez que o Executive Meeting da IFAJ aconteceu em solo brasileiro. A federação reúne 5.500 jornalistas de mais de 60 países, e sua reunião anual de diretoria circula pelo mundo em sistema rotativo. O Brasil entrou nessa rota com a candidatura aprovada em 2025, durante o Congresso Mundial da IFAJ no Quênia. O Executive Meeting contou com patrocínio Ouro de Bayer, John Deere e Yara; Prata da BASF; e Bronze da Corteva, além de apoio da Agro Leega, ABAG, Ford, Dom Tápparo, Toledo e outras organizações.

Confira aqui o link de todas as reportagens publicadas

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