A jornalista Cristina Tardáguila, que fundou a Agência Lupa em 2015 e passou por organizações internacionais dedicadas ao combate à desinformação, estará em São Paulo no dia 7 de novembro de 2026 para participar do 4º Diálogos Agrojor, promovido pela Rede Brasil de Jornalistas Agro (Rede Agrojor). Pesquisadora do Digital Democracy Institute of the Americas (DDIA), nos Estados Unidos, ela participa de um debate sobre as transformações provocadas pela inteligência artificial na rotina das redações, em um momento em que ferramentas automatizadas passaram a executar tarefas de pesquisa, produção de textos e distribuição de conteúdo.
“O que sobra na lida do trabalho quando a IA faz quase tudo?” é a pergunta que orientará a mesa da qual Cristina participa, às 9h30, no Centro de Convenções FAAP, a Fundação Armando Alvares Penteado. Com moderação do jornalista Cassiano Ribeiro, que atua no Valor Econômico/Globo Rural/CBN, a discussão abordará os limites da automação no exercício do jornalismo, incluindo a apuração, a verificação das informações e a responsabilidade editorial sobre conteúdos produzidos com o auxílio de sistemas de inteligência artificial.
A trajetória de Cristina está ligada à expansão das iniciativas de checagem de fatos no Brasil e no exterior. Formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com pós-graduação pela Universidad Rey Juan Carlos, em Madri, e MBA em Marketing Digital pela Fundação Getulio Vargas (FGV), ela trabalhou em redações como as dos jornais O Globo e Folha de S.Paulo, da agência espanhola EFE e da revista piauí, antes de criar uma organização dedicada à verificação de declarações públicas.
Foi em 2015, quando o debate sobre a circulação de informações falsas nas plataformas digitais ganhava espaço na imprensa, que Cristina fundou a Agência Lupa, uma das primeiras iniciativas brasileiras especializadas em fact-checking. Durante quatro anos, até 2019, esteve à frente da organização, estruturando uma operação voltada à investigação de conteúdos e à confrontação de declarações com documentos, bases de dados e fontes públicas. O trabalho se desenvolveu em um período de crescimento das redes sociais como canais de informação e de ampliação da circulação de conteúdos sem identificação de autoria ou origem.
Um voo internacional na carreira
A experiência brasileira abriu caminho para sua atuação em organizações internacionais. Depois de deixar a direção da Lupa, Cristina assumiu o cargo de diretora adjunta da International Fact-Checking Network (IFCN), rede vinculada ao Poynter Institute, nos Estados Unidos, que articula organizações de checagem em diferentes países. Posteriormente, ocupou a posição de diretora sênior de programas do International Center for Journalists (ICFJ), em Washington, instituição dedicada à formação profissional e ao desenvolvimento de projetos jornalísticos.
Durante a pandemia de Covid-19, Cristina coordenou a aliança #CoronaVirusFacts, iniciativa que reuniu organizações de checagem de diversos países para investigar informações sobre a doença, medidas sanitárias e vacinação. A articulação permitiu compartilhar verificações e acompanhar a circulação de conteúdos falsos em diferentes idiomas e plataformas. Em 2021, a IFCN foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz por sua atuação no enfrentamento à desinformação, reconhecimento dirigido à rede internacional da qual Cristina havia participado como dirigente.
A jornalista também construiu uma trajetória como autora e coautora de livros sobre política, jornalismo, desinformação e patrimônio cultural. Entre as obras estão A Arte do Descaso, publicada em 2016, Você foi Enganado, de 2018, e Tempestade Perfeita, de 2021. Sua atuação profissional inclui pesquisas, consultorias, palestras e programas de formação voltados à checagem de fatos e à educação midiática, atividades que passaram a integrar o debate sobre os efeitos das tecnologias digitais na produção e no consumo de notícias.
Atualmente vinculada ao DDIA, instituto dedicado ao estudo dos ambientes digitais e de seus impactos sobre a democracia nas Américas, Cristina levará ao Diálogos Agrojor uma experiência que atravessa redações brasileiras, organizações de investigação e projetos internacionais. A discussão ocorre em um cenário no qual jornalistas e empresas de comunicação precisam estabelecer critérios para o uso de ferramentas capazes de gerar textos, imagens e vídeos, além de distinguir conteúdos autênticos daqueles produzidos ou manipulados por sistemas automatizados.
Para o jornalismo especializado em agronegócio, o debate inclui questões relacionadas à confiabilidade de dados, à identificação das fontes e à circulação de informações sobre produção, mercados, empresas e políticas públicas. A utilização de inteligência artificial em tarefas de organização e processamento de informações também coloca em discussão o papel do profissional na verificação dos resultados e na contextualização de temas que exigem conhecimento técnico.
O 4º Diálogos Agrojor é uma iniciativa da Rede Brasil de Jornalistas Agro, entidade fundada em abril de 2022, com sede em São Paulo. A organização reúne cerca de 140 profissionais que trabalham em redações, projetos próprios, assessorias de imprensa e comunicação corporativa, distribuídos por 12 estados e pelo Distrito Federal. A Rede é filiada à Federação Internacional de Jornalistas Agro (IFAJ), organização que congrega cerca de 5.500 jornalistas em 62 países.
O encontro conta com patrocínio Ouro da Syngenta, patrocínios Bronze da Acrimat, Bayer, Cargill, Elanco, Koppert e Yara, além do apoio da ABIEC, ABPA, Coffee++ e FAAP.
As inscrições estão abertas pela plataforma Sympla, com participação gratuita para associados da Rede Agrojor. Jornalistas interessados em integrar a entidade podem preencher o formulário de filiação.

