Na era das narrativas que conectam, o jornalista assume cada vez mais um papel estratégico dentro das organizações. Essa foi a tônica do workshop “Narrativas que Conectam: o papel do jornalista na comunicação corporativa”, promovido pela Rede Agrojor na segunda semana de junho, que reuniu dois grandes nomes do setor: Eduardo Ribeiro, diretor da Mega Brasil Comunicação e idealizador do Anuário da Comunicação Corporativa, e Felipe Fonseca, gerente de Comunicação Externa Global da Cargill.
O evento da Rede Agrojor reforça o compromisso da entidade em promover discussões atuais e qualificadas sobre o presente e o futuro da comunicação no setor agropecuário. No workshop, os convidados falaram sobre os caminhos da comunicação institucional, os dilemas da relação entre os jornalistas que trabalham na comunicação corporativa e dos veículos de comunicação e o uso estratégico de tecnologias como a inteligência artificial.
Ribeiro destacou o crescimento expressivo do setor desde o surgimento da internet, lembrando que há duas décadas a comunicação corporativa ainda era focada basicamente na assessoria de imprensa. “Hoje, são mais de 1.100 agências formalmente registradas. O faturamento do setor chegou a R$ 5,3 bilhões em 2024 e 55% desta receita ainda vem da assessoria”, disse ele.
Esse crescimento, no entanto, também trouxe novos desafios. Segundo Ribeiro, o atual modelo de distribuição de releases é insustentável. “Recebo 800 e-mails por dia, dos quais 95% vão para o lixo. A tecnologia vai mudar isso rapidamente. Mapear jornalistas com IA é fácil, mas o desafio está nas agências: é preciso qualidade e direcionamento, não volume.”
Fonseca contou como a Cargill trabalha na sua comunicação corporativa. Segundo ele, a empresa atua com uma abordagem integrada, buscando coerência entre as áreas e público. “Falamos a mesma linguagem, seja em nutrição animal, em alimentos ou no setor agrícola. Nosso papel como jornalistas é conectar os setores com clareza e responsabilidade.”
Sobre o relacionamento entre empresas, jornalistas e agências, ambos defenderam o fortalecimento das conexões humanas como diferencial em meio à avalanche de informação. “Se eu tenho um bom relacionamento com o jornalista, meu e-mail não vai se perder. Mensuração de resultado e relacionamento interpessoal caminham juntos”, disse Fonseca.
O conceito de “eugência”, as consideradas agências pequenas, muitas vezes tocadas por um ou dois profissionais, para Ribeiro é um movimento legítimo e cada vez mais presente no agro que, segundo ele, ainda é uma fronteira a ser explorada pela comunicação. As pequenas agências têm espaço para crescer e se profissionalizar. “O agro sempre foi avesso à comunicação, mas isso vem mudando. Ainda tem muito espaço para crescer, inclusive em termos de investimento”,disse ele.
O workshop trouxe ainda uma reflexão sobre o papel da inteligência humana frente às novas tecnologias. Para Ribeiro, o futuro da comunicação exige a combinação da expertise jornalística com o uso da Inteligência Artificial. “O trabalho das assessorias precisa evoluir. O desafio não está nas redações, que seguem sendo seletivas, mas na forma como as agências se posicionam e atuam.”
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