Steve Werblow

12 países já estão pré-inscritos para o Executive Meeting no Brasil em 2026

Durante o Congresso Mundial da Federação Internacional de Jornalistas Agro (IFAJ), realizado em Nairóbi, no Quênia, que começou na terça-feira (14) e termina neste sábado (18), o Brasil esteve presente nas discussões que definem o futuro da entidade. Por link ao vivo, participaram do encontro, representando a Rede Brasil de Jornalistas Agro (Rede Agro), Luiz Patroni, vice-presidente, e Daniel Azevedo, diretor de comunicação internacional. Na reunião de diretores, ocorrida na quarta-feira (15), o Brasil apresentou o resumo da agenda de atividades preparadas para o Executive Meeting 2026, que será sediado no país em março. O encontro é o principal evento anual de planejamento da IFAJ e reúne lideranças das associações nacionais de jornalistas agropecuários para definir as diretrizes e ações da federação, além de cumprirem um roteiro de atividades para conhecer o agro local. Ao final da exposição da agenda de uma semana de atividades, 12 países já estavam pré-inscritos para o evento no Brasil, entre eles Chile, Bélgica, Croácia, Reino Unido, Espanha, África do Sul, Suíça, Finlândia, Argentina, Benin, Irlanda e Austrália. “A organização para o evento no Brasil está incrível”, disse o norte-americano Steve Werblow, presidente da IFAJ. “Muito boa apresentação“, afirmou o argentino Addy Rossi, vice-presidente. Para Daniel Azevedo, que fez o detalhamento da agenda, há uma expectativa grande para o Executive Meeting no Brasil. “Os nomes confirmados até agora são de representantes-chave das redes nacionais, e a expectativa é de ampliação quando as inscrições forem abertas oficialmente nas plataformas da IFAJ”, disse Daniel Azevedo. O Executive Meeting 2026, organizado pela Rede Agro, será a primeira reunião anual da IFAJ realizada no Brasil, consolidando o papel do país como referência latino-americana no jornalismo agropecuário internacional. O Executive Meeting também abre o caminho para que o país se candidate a sede do congresso mundial nos próximos anos.  Além da exposição do plano brasileiro, a reunião incluiu votações sobre o orçamento de 2025 da IFAJ, a aprovação do balanço do último exercício e a reintegração da Nigéria como país-membro. Também foi aprovada a mudança do nome jurídico da entidade para IFAJ Foundation. Você ainda não faz parte da Rede Agror? Clique aqui se torne membro da maior comunidade de jornalistas agro do Brasil.

“Mercados agrícolas estão cada vez mais conectados”, diz Steve Werblow, presidente da IFAJ

O norte-americano Steve Werblow, que reside em Ashland, no Óregon (EUA), é o atual presidente da Federação Internacional de Jornalistas Agro (IFAJ), eleito para o cargo em agosto deste ano. Ele sucedeu Lena Johansson, da Suécia. Werblow é um jornalista experiente, formado em 1988 na Cornell University, uma instituição de 1865 onde há um curso superior dedicado à comunicação com ênfase em ciências agrícolas. Com alguns anos de formado, a partir de 1995 passou a construir uma carreira independente, baseada em colaborações a diversos veículos. Por exemplo, na The Furrow Magazine, que pertence à John Deere, ele é editor desde 2003. Na IFAJ,  Werblow passou a fazer parte da diretoria executiva em 2020,  como vice-presidente. Confira a seguir a entrevista que ele concedeu à presidente da Rede Agrojor, Vera Ondei: Rede Agrojor: Como vê o papel da IFAJ no desenvolvimento do jornalismo agrícola em todo o mundo, especialmente em países emergentes como o Brasil? Steve Werblow: A IFAJ é uma organização global com cerca de 5.000 jornalistas e comunicadores em mais de 60 países, representando todos os estágios de desenvolvimento econômico. Isso é uma base de recursos notável para compartilhar informações e ideias. A IFAJ reúne essas pessoas e cria oportunidades para o compartilhamento de desenvolvimento profissional, dados e inspiração. A federação possui programas de desenvolvimento profissional que podem ser acessados gratuitamente. Estamos trabalhando em um programa de educação online detalhado, em nível universitário, que será extremamente acessível e fornecerá um certificado reconhecido para aqueles que o concluírem. Também trabalhamos com parceiros para financiar bolsas que permitem que jornalistas viagem ao redor do mundo para importantes conferências, como o World Dairy Summit e o World Seed Congress — oportunidades que, de outra forma, eles provavelmente não poderiam pagar. Nossos programas Young Leader e Masterclass têm fornecido bolsas da Alltech e da Corteva para participantes, incluindo vários do Brasil, para participar do Congresso Mundial da IFAJ e de treinamentos adicionais. Como os mercados agrícolas estão cada vez mais conectados globalmente, a pressão para entender e entregar insights de clientes e concorrentes ao redor do mundo é mais intensa do que nunca. Assim como a necessidade de acompanhar uma ampla gama de mídias para compartilhar notícias e perspectivas. Os membros da IFAJ se conectam, trocam notícias e pontos de vista, compartilham práticas e têm acesso a ferramentas de desenvolvimento profissional para ajudar a aprender e cobrir a agricultura local e globalmente. Isso é de grande valor para jornalistas de países emergentes e de qualquer lugar. RA: Quais são os principais desafios enfrentados pelos jornalistas agrícolas hoje, e como a IFAJ está ajudando a superá-los? SW: Nosso setor está enfrentando uma enorme disrupção, e um dos papéis da IFAJ é ajudar nossos membros a entender e lidar com essas mudanças. A mídia tradicional está diminuindo na maioria dos lugares, enquanto novos meios estão crescendo. A inteligência artificial generativa está emergindo tanto como uma ferramenta de pesquisa para jornalistas quanto como uma concorrente para eles. E a credibilidade de toda a mídia profissional — seja por desconfiança do público ou pela influência de influenciadores muitas vezes não treinados que atuam como mídia — está sendo testada em muitos mercados. Aqui, novamente, compartilhar insights, fatos e conselhos sobre abordagens bem-sucedidas dentro da rede da IFAJ — e os programas de desenvolvimento profissional da entidade que nos conectam com especialistas externos — pode ajudar qualquer um de nossos membros ou associações filiadas a enfrentar esses desafios. RA: A IFAJ tem feito parcerias com organizações nacionais. Quão importantes são essas colaborações locais para fortalecer a comunicação agrícola? SW: As entidades membros da IFAJ são o núcleo de nossa existência e a fonte de nossa energia e sabedoria. Sempre me impressiono com a ampla gama de atividades que essas associações realizam e como elas se envolvem com seus membros, jornalistas de outros setores, agricultores e o público em geral. Encorajamos os membros dessas associações a compartilhar suas atividades com outros colegas da IFAJ para inspirar criatividade e maior engajamento em todo o mundo. Associações ativas criam oportunidades para jornalistas e comunicadores em seus países e desempenham papéis vitais no apoio à agropecuária. RA: Como a IFAJ aborda a crescente demanda por informações sobre práticas agrícolas sustentáveis e mudanças climáticas no setor? SW: Os membros da IFAJ e os públicos que eles atendem estão na linha de frente dos impactos das mudanças climáticas. Eles são especialistas na necessidade de sustentabilidade econômica e ambiental, além do que é prático e alcançável. E são canais vitais de informação em ambas as direções: para o agricultor e do agricultor. As redes da IFAJ conectam jornalistas, especialistas em sustentabilidade, formuladores de políticas e outros, para que possamos compartilhar informações sobre sustentabilidade. Também compartilhamos informações sobre como transferir conhecimento e tecnologia de maneira mais eficaz para nossos públicos. Você pode ver esses temas em nossos Congressos e tours de imprensa, em nossos webinars — incluindo uma nova série patrocinada pela Syngenta que começou esta semana — em nosso site, em nosso boletim informativo e em nossa página no Facebook. RA: Na sua opinião, quais são as maiores oportunidades para jovens jornalistas que desejam entrar na cobertura do agronegócio? SW: O jornalismo agrícola é empolgante, gratificante e fascinante. Nós cobrimos a indústria mais fundamental do mundo e, como a agricultura/pecuária está se tornando mais complexa a cada ano, sempre haverá demanda pelo que fazemos.  Nosso colega australiano, Leigh Radford, destaca para jovens jornalistas que, enquanto repórteres que cobrem a capital precisam esperar por comunicados de imprensa ou ouvir intermináveis coletivas de imprensa para criar segmentos curtos para os telejornais da noite, os jornalistas agrícolas estão no campo idealizando suas próprias histórias, fazendo entrevistas pelo país e produzindo segmentos mais longos que seus públicos adoram. Que oportunidade empolgante isso representa para um jovem jornalista ambicioso! Atualmente, estamos trabalhando em uma campanha chamada “Por que ser um jornalista agrícola?”, além de vídeos para promover esse setor. Ficarei feliz em compartilhá-los na esperança de que possam atrair talentos brasileiros para nosso segmento.